
Na varanda da vida estava sentada procurando algum motivo que me fizesse sorrir, algum movimento que me fizesse mudar de posição, sem a menor real pretensão de me levantar.Por ali conseguia enxergar as folhas se mexerem com a brisa, era perto o suficiente para escutar o cantar dos pássaros, e ainda sim mantinha uma distância segura do desconhecido.Apenas sabia que existia beleza ali fora, porém a poltrona da varanda sempre foi mais tentadora.
Dentre a habitual música do bem-te-vi me chamando para ver o sol escutei um ruído diferente, que até então só tinha sido citado nas histórias de pescadores e de olhares calados. Me despertou de tal maneira que resolvi me debruçar no parapeito para ver do que se tratava.Para a minha surpresa apesar do barulho ter ficado nítido, eu senti uma necessidade enorme de saber que parte da natureza foi abençoada com essa canção para minha alma.
Com passos frescos e leves desci a escada, e a cada degrau o barulho ficava mais gostoso de escutar. Foi quando me peguei de pés descalços, foi tão gostoso tirar os sapatos e sentir o chão geladinho nesses dias de verão.
Colei a orelha na porta da frente da minha casa, com medo do ruído ter ido embora, mas lá continuava com uma intensidade que eu podia jurar que ia acabar acordando o vizinho. Minha mão já estava pronta para virar a chave, só para meu olhar encontrar o motivo que me fez levantar da cadeira.
Devo admitir que abrir a porta foi muito difícil, mas quando eu vi que estava escutando o coração de um beija-flor no meio de de batidas de asas de bem-te-vi, percebi que valeu muito a pena ter me levantado .Enquanto eu escutar a batida desse coração vou ficar ali por fora, ali por onde eu possa ouvir a canção e ficar de pé só para dançar, dançar só para você continuar a cantar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário